Lava Jato sobe o tom e senadores miram Toffoli

Os elevados decibéis da reação dos procuradores da Lava Jato ao presidente do STF, Dias Toffoli, por causa da entrevista do ministro ao Estado, chamaram a atenção do meio jurídico.

A avaliação é de que a turma de Curitiba foi no mínimo ousada ao responder em tal diapasão à mais alta autoridade do Judiciário, sinal de que se sente blindada pelo Ministério Público e pela opinião pública.

Entre os políticos “lavajatistas”, a resposta dos procuradores instaurou um clima de vale-tudo na disputa deles com o Supremo: quase não existem mais regras.

– Captei –

Ao afirmar que a Lava Jato não quebrou empresas, conforme entende Toffoli, Roberson Pozzobon disparou: “A outra opção seria não investigar ou não responsabilizar. Isso a Lava Jato não fez”. A “tradução” do meio jurídico: Curitiba não é como o Supremo.

– Reload –

Capitaneados pelo grupo Muda Senado, 30 senadores assinaram um novo requerimento de CPI para investigar Dias Toffoli. O documento só será protocolado em fevereiro, após o recesso do Congresso.

– Raio X –

Senadores que assinaram o requerimento dizem que ele é uma “reação ao conjunto da obra” de Toffoli. “A entrevista do Toffoli foi a comunhão do inútil com o desagradável. Parece manifestação de advogado de bandido da Lava Jato”, disse o senador Major Olimpio (PSL-SP).

– Linha… –

 A defesa de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, atua para desvincular seu caso da investigação na Petrobrás e questiona o que entende ser contradições entre a delação de Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, e a Operação Mapa da Mina, que mirou o filho de Lula.

– …de atuação –

Azevedo diz na delação que as relações da Oi com a empresa de Lulinha eram lícitas, com razão financeira e propósito negocial: ou o ex-executivo mentiu ou os procuradores se equivocaram. A Andrade Gutierrez foi uma das controladoras da Oi.

– Perfil –

A defesa de Lulinha terá estilo diferente do adotado por seu pai, Lula: será mais técnica e menos política, mais centrada nos autos e menos no confronto, conforme perfil do advogado Fabio Tofic.

– Pesquisa –

O governo paulista fez pesquisa interna sobre os desdobramentos das mortes de nove jovens em Paraisópolis. Em dois dos três cenários aos quais a Coluna teve acesso, a maioria dos entrevistados disse aprovar a atuação do governador João Doria.

– Pesquisa 2 –

Quase 80% dos 1.500 entrevistados, todos de perfil socioeconômico C e D, acham que Doria fez bem em receber os familiares das vítimas. Um dos cenários indica que para a grande maioria os bailes funks estão associados ao consumo de drogas.

– Aposta –

Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), um dos principais nomes do grupo de trabalho do pacote anticrime, ganha força para presidir a CCJ da Câmara. Não é governista, mas consegue dialogar com os dois lados.

– Mão fechada –

A Câmara Municipal de São Bernardo do Campo (SP) aprovou um décimo terceiro salário para os vereadores, vetado pelo prefeito Orlando Morando (PSDB).

Segundo ele, que leiloou parte da frota de veículos oficiais, os vereadores deveriam ter responsabilidade fiscal e respeito ao dinheiro público.

João Amoêdo, presidente do Partido Novo disse: “Quem prejudicou as empresas e a economia foram alguns executivos e o governo do PT em uma relação corrupta”, sobre a afirmação de Dias Toffoli.

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