Melhora o emprego industrial

De novo em crescimento, o setor industrial começa a recuperar-se, a absorver mão de obra e, muito especialmente, a gerar empregos com carteira assinada. Com 10,7 milhões de empregados, a indústria de transformação exibiu no terceiro trimestre de 2019 o maior contingente de pessoal desde 2015, quando os contratados eram 11,5 milhões.

Faltavam 800 mil para se voltar ao nível do primeiro ano da recessão, mas a melhora já era inegável. Em um ano tinham sido abertos 136,5 mil postos, diferença entre admissões e demissões.

Foi um avanço nada desprezível para um segmento tão castigado pela crise, como lembrou ao Estado o pesquisador Bruno Ottoni, da consultoria IDados. Ele se referia ao panorama obtido com o cruzamento de números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantido pelo Ministério da Economia.

A melhora ocorreu principalmente em segmentos produtores de bens de consumo, como alimentos e têxteis, mas também as fábricas de máquinas e equipamentos deram alguma contribuição. Algum investimento, principalmente para reposição e substituição de bens de capital desgastados ou muito desatualizados, foi inevitável em muitas empresas.

A retomada do investimento em capacidade produtiva deve garantir a criação de mais 15 mil a 20 mil empregos neste ano, segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, citado na reportagem.

Uma recuperação mais firme do investimento dependerá, no entanto, das expectativas dos empresários. Tem havido sinais de confiança numa continuada reativação da economia, mas há dúvidas, ainda, sobre a aceleração possível nos próximos anos.

O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2,30% em 2020 e 2,50% em cada um dos dois anos seguintes, pela mediana das projeções obtidas no mercado pela Pesquisa Focus do Banco Central (BC). O crescimento da produção industrial neste ano deve chegar a 2,02%, depois de um recuo de 0,71% em 2019, de acordo com o boletim. Para 2021 e 2022 a taxa anual estimada chega a 2,50%, igual à projetada para o PIB.

A realidade poderá trazer números melhores, mas qualquer aposta mais otimista é certamente arriscada. Empresários têm investido, tudo indica, principalmente para repor e atualizar máquinas e equipamentos.

Mas ainda precisarão de algum tempo antes de pensar em investir para ampliar o potencial produtivo, porque a ociosidade ainda é ampla em muitos segmentos industriais.

A crise da indústria, principalmente da indústria de transformação, começou por volta de 2012, bem antes, portanto, do início da recessão registrada oficialmente pelas contas nacionais (em 2015 e 2016).

A extensão da queda nem sempre é lembrada quando se comentam as condições da indústria. Em outubro, a produção industrial ainda estava 15,8% abaixo do pico alcançado em maio de 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A comparação se refere aos dados gerais do setor e inclui os segmentos extrativo e de transformação.

A recuperação da indústria foi dificultada, no último ano, por alguns fatores circunstanciais, como a crise na Argentina, importante mercado para os manufaturados brasileiros, e pela desaceleração global. Mas a crise do setor, especialmente da indústria de transformação, tem uma história muito mais longa e mais complexa. Resultou, em grande parte, de erros de política econômica atribuíveis principalmente aos governos petistas.

Protecionismo comercial excessivo, incentivos fiscais e financeiros mal planejados e diplomacia econômica terceiro-mundista produziram resultados desastrosos. Faltaram incentivos à busca de competitividade.

Além disso, o manejo irresponsável das contas públicas produziu, entre outros efeitos danosos, juros muito altos por um período muito longo. Também isso prejudicou os investimentos.

A recuperação ainda será longa e trabalhosa. Exigirá, provavelmente, uma atenção maior que aquela até agora dedicada ao setor industrial pelo governo. Mas a reativação começou, embora devagar, e isso já é um dado certamente animador.

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